Embora a Bíblia cite a juventude (Jó 20.21; Jó 33.25; Ec 11.9,10; Mc 10.20; Lc 18.21), bem como faz referência a Jesus no Templo aos 12 anos, não encontramos nenhuma menção da palavra adolescência nas Escrituras.
Essa ausência muito provavelmente se deve ao fato da palavra adolescência ter surgido apenas no final do século XIII, designando os anos posteriores à infância, ou seja, dos 12 aos 18 anos para meninas e dos 14 aos 20 anos para meninos.
A partir da metade século XVIII, conceitos como adolescência e juventude começaram a se consolidar devido aos avanços da pedagogia, medicina e filosofia.
A adolescência para muitos pais é sinônimo de rebeldia e desafeto e para os próprios adolescentes sinônimo de insegurança e muito conflito.
Pais cristãos não estão fora das estatísticas de pais preocupados, estressados e angustiados com seus filhos adolescentes.
C. S. Lewis (Cartas a uma senhora americana. São Paulo: Vida, 2006) escreveu a uma mãe igualmente preocupada: “os únicos lares ‘normais’ são aqueles que não conhecemos bem, assim como as únicas montanhas azuis são as que ficam a mais de 10 quilômetros de distância”.
É fato! Assim que a infância se encerra e surge o adolescente a família deixa de ser ‘normal’.
Muitos pais na igreja costumam olhar para outras famílias cujos adolescentes quase sempre ‘parecem’ bem ajustados, carregando sobre si a grande dúvida – onde errei?
Ocorre que não há adolescentes bem ajustados, uma vez que a própria adolescência é um momento de desajustar e ajustar sucessivas vezes.
Contudo em meio a desajustes e ajustes, no ir e vir, no desafinar e afinar é preciso que pais e demais adultos na igreja percebam a adolescência como um maravilhoso presente de Deus.
Dizia a conhecida propaganda de produtos para bebês: ‘quando nasce um bebê, nasce também uma mãe’. Há muita verdade nessa frase de markenting.
De fato, ninguém nasce pai ou mãe, antes o pai e a mãe surgem quando nos deparamos com o cuidado que temos que dispensar ao maravilhoso presente que recebemos de Deus ‘embrulhado’ por fralda e macacãozinho. A alegria pelo belo presente se mescla aos questionamentos de como daremos conta das necessidades físicas e emocionais do pequeno ser.
Pois bem, quando ‘nasce’ um adolescente, nasce também os pais do adolescente. E de igual maneira há temor, angústia, insegurança e muitos, muitos questionamentos em como suprir as necessidades emocionais do adolescente, que, diga-se de passagem, não são poucas.
Os pais que já estavam peritos em identificar o choro de fome, de dor e de desconforto do bebê, agora se angustiam com um crescimento em nada silencioso do adolescente.
Essa é fase que o indivíduo descobre a autonomia e se desequilibra facilmente com essa nova descoberta. Os adolescentes querem se fazer ouvir e para consegui-lo usam os mais diferentes artifícios — choram, gritam, batem a porta do quarto, externam seu gosto pela música em alto e bom som, manifestam de maneira gritante suas preferências por roupas e programas de fim de semana.
Todavia, em meio a aparente desordem causada pelo adolescer é importante que os pais se percebam também crescendo, amadurecendo, desenvolvendo o potencial de excelentes discipuladores. E é aqui que encontramos o maravilhoso presente de Deus para os pais de adolescentes.
Ter filhos na adolescência é ter a oportunidade singular de ser modelo, exemplo, referencial para indivíduos que estão em fase de aguçada observação e imitação.
Queridos pais de adolescentes, sigamos o conselho de 1 Pe 5.7, lancemos sobre Deus, o perfeito Pai toda a ansiedade e estresse gerados pela adolescência. Vejam-se crescendo em Deus enquanto vocês são usados por Ele no processo de adolescer dos seus filhos.
Com amor,
Pra. Edilian